If you want to know your past life,
look into your present condition;
if you want to know your future,
look into your present action.
It is not the wind that is moving;
it is not the flag that is moving;
it is mind that is moving.
There are no holy places and no holy people,
only holy moments, only moments of wisdom
terça-feira, 26 de abril de 2011
domingo, 27 de março de 2011
nós e os outros
nosotros hibridismo de nós e os outros no ato de um julgamento de uma atitude não condenamos a nós o polvo de nossos mecanismos de defesa condena sempre os outros transferir ferir esses outros desumanos é cinicamente mais fácil julgar a nós nos outros outros e nós híbrido atroz nós e nossos nós nó cego nós cegos no pecado da negação não nos navegamos com o receio da onda quebrar no caudaloso recife de corais de nossa fragilidade mergulhar nos outros o caldo da alma na vida alheia esse espelho sem aço na praia dos outros a areia é quase sempre mais alva para alguns nem doer dói surfar na onda do venha a nós para outros no entanto o vosso reino é um calabouço de angústias lhes deteriorando nos cactos de seus relacionamentos um texto assim mesmo sem maiúsculas ou minúsculas sem pontuação sem respiração caótico confuso tal qual nós tal qual os outros
sexta-feira, 18 de março de 2011
Vida – corredor da morte
No corredor da morte chamado vida os cadafalsos assoalham nossos caminhos de uma extremidade a outra sem pouparem nem mesmo aqueles que construíram impérios materiais indeléveis. O silêncio, na companhia da dor e da perene resignação, abraçará o surdo, o mudo e o cego sem fazer nenhuma cerimônia.
Temos a opção de caminharmos rumo à cascata da finitude com pés calcados de humildade adubando cada hectare de profusão de amor e respeito pelo nosso semelhante de comportamento tão distinto nos permitindo ter a certeza de que com o cerrar das pálpebras e o encontro das mãos sobre o peito mudo o lugar-comum missão cumprida amenizará a dor daqueles poucos que segurarão nossas mãos até o último suspiro.
Mas distribuir flores no breu quente de uma rotina espinhosa é fácil aqui nessa folha de papel no conforto climatizado do meu quarto. Quantas vezes em minhas mãos tive a chave do perdão, mas deixei-a multiplicar-se tornando o peso pesado do molho uma represa de remorso. Perdoar não é praxe das pessoas raquíticas de espírito. Perdoar é um exercício que exige alma hiperbólica. Puxar a descarga do rancor não nos diminui em nada e muito menos tornará nossa passagem por aqui mais efêmera, o máximo que pode acontecer é a caixa de gordura ficar entupida, porém quanto mais vezes ela entupir mais milhas ganharemos no plano de milhagens para o paraíso.
A outra opção é caminharmos calçados de orgulho e empáfia usando todos aqueles que surgirem pela frente como degraus para alcançarmos o que pelo menos acreditamos ser o supra-sumo de nossa existência no plano terreno: A metralhadora do $ucesso e poder.
Armado de sucesso e poder, o próximo que fique bem longe da nossa muralha, chamada por mim, de “umbiguismo.”
Podemos ainda ir mais além pregando dissimuladamente o bem em bocas de ferro para ouvidos carentes e praticar o mal nas esquinas da pequenez humana para só então nos darmos conta lá no final do corredor, na dor da impotência, quão estreito o corredor foi ficando ao longo dos anos.
Acho que meu texto sofreu uma digressão, pois vim aqui escrever sobre a morte, mas fui surpreendido pela vida. Hoje acordei pensando nessa safada.
Temos a opção de caminharmos rumo à cascata da finitude com pés calcados de humildade adubando cada hectare de profusão de amor e respeito pelo nosso semelhante de comportamento tão distinto nos permitindo ter a certeza de que com o cerrar das pálpebras e o encontro das mãos sobre o peito mudo o lugar-comum missão cumprida amenizará a dor daqueles poucos que segurarão nossas mãos até o último suspiro.
Mas distribuir flores no breu quente de uma rotina espinhosa é fácil aqui nessa folha de papel no conforto climatizado do meu quarto. Quantas vezes em minhas mãos tive a chave do perdão, mas deixei-a multiplicar-se tornando o peso pesado do molho uma represa de remorso. Perdoar não é praxe das pessoas raquíticas de espírito. Perdoar é um exercício que exige alma hiperbólica. Puxar a descarga do rancor não nos diminui em nada e muito menos tornará nossa passagem por aqui mais efêmera, o máximo que pode acontecer é a caixa de gordura ficar entupida, porém quanto mais vezes ela entupir mais milhas ganharemos no plano de milhagens para o paraíso.
A outra opção é caminharmos calçados de orgulho e empáfia usando todos aqueles que surgirem pela frente como degraus para alcançarmos o que pelo menos acreditamos ser o supra-sumo de nossa existência no plano terreno: A metralhadora do $ucesso e poder.
Armado de sucesso e poder, o próximo que fique bem longe da nossa muralha, chamada por mim, de “umbiguismo.”
Podemos ainda ir mais além pregando dissimuladamente o bem em bocas de ferro para ouvidos carentes e praticar o mal nas esquinas da pequenez humana para só então nos darmos conta lá no final do corredor, na dor da impotência, quão estreito o corredor foi ficando ao longo dos anos.
Acho que meu texto sofreu uma digressão, pois vim aqui escrever sobre a morte, mas fui surpreendido pela vida. Hoje acordei pensando nessa safada.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Ela pode esperar...
São exatamente três horas da manhã quando a fragilidade do silêncio é quebrada na soturna casa 211 da pacata Santa Quitéria com os gritos histéricos do telefone convencional posicionado na estante de mogno da sala de estar. Toques sucessivos com ar de urgência e um hediondo aroma de tragédia, toques daqueles de dizimar até a paciência de Jó.
Seu Isaac acorda aturdido e balbucia algumas palavras incompreensíveis como quem tem um bob de cabelo enrolado na língua e levanta-se muito amuado da rede de punhos puídos. Sempre que tomava seus pileques abria mão de dormir na cama de casal. Era embalado na rede que ele curava suas dores de cabeça ainda que com carapanãs lixando seus ouvidos.
Isaac era do tipo que não gostava de atender nem os telefonemas dos próprios filhos, que dirá um trote de algum desalmado com insônia na taciturna noite de dezoito de outubro - dia comemorado como marco da resistência à morte inevitável. Os filhos há algum tempo já nem telefonavam mais pro velho, pois, as chances de ouvirem poucas e boas eram de proporções homéricas. Paulatinamente Isaac levantara muralhas em sua volta e cavara um fosso levando essa animosidade ao aparato tecnológico a osteoporose de seus relacionamentos familiares. Mas num súbito momento de sobriedade lembrou-se do filho caçula recém integrado à polícia federal e que estava em missão na perigosa cidade de Tabatinga.
O envelhecimento dos tecidos já pesava naquela carcaça óssea de setenta e três Julhos, com alguns remanescentes cabelos grisalhos e uma ressaca dionisíaca lá foi ele desnudo pelo corredor inóspito rumo ao impaciente aparelho telefônico. Nunca Alexander Graham Bell foi tão xingado por tal invenção.
Alô? Judeu? Só pessoas muito íntimas o chamavam por esse apelido colocado por ele mesmo. Mas nem a voz lasciva e o tom de intimidade do outro lado da linha o derreteram.
Isso é hora de telefonar pra casa dos outros? O que é? Foi logo fazendo jus a fama de tolerante zero. Queria voltar o quanto antes para rede de punhos puídos e hibernar por dias, se possível.
Sabe quem está falando? Não. Respondeu assim, seco e lacônico. Já estive em sua casa uma vez e fui muito bem servida. Lembras? Isaac resolveu dar voz ao seu desconhecido lado Pollyana. Sentou-se no sofá e continuou com a conversa fiada. Me perdoe, mas não lembro não minha princesa. Eu sou a General das Trevas.
Zuleide tem o sono sacudido pelo frio insuportável e ao levantar as pálpebras percebe a porta do quarto entreaberta e não vê seu companheiro à cabeceira. Aquela frente fria castigava a extensão do inferno, como era mais conhecida a cidade de Manaus.
Isaac? Isaac? Sem obter resposta foi o jeito levantar-se. Mas sem o par de óculos não chegaria a lugar algum. Zuleide vai tateando sobre a penteadeira com uma cautela que lhe é peculiar até derrubar o Terço de madeira antes de triscar nos seus olhos de vidro. Dona Zuleide, de dogmas religiosos muito sólidos, não ia para cama sem antes rezar todo o Terço do Rosário.
General das Trevas? Bom, não me venha com metáforas a essa hora da noite. Seja sucinta e direta. Eu sou a morte e vou aí te buscar. Uma rasga-mortalha pia ironicamente sobre o telhado úmido.
Houve um silêncio. Depois uma gargalhada. A conversa já durava um quarto de hora.
Ah, és tu então sua vagabunda. Se por aqui quiseres aparecer de novo, gostaria que tu viesses desprovida de calcinha e sutiã. E quando eu deitar minhas coxas entre as tuas sentirás que o buraco aqui é literalmente mais embaixo.
Zuleide a poucos metros dali com o Terço nas mãos e os olhos pousados naquele homem nu foi se embriagando com aqueles sussurros temperados de promiscuidade que o silêncio permitia-lhe ouvir. Aproximou-se de Isaac, colocou o Terço em volta do seu pescoço, cobriu-lhe o corpo com a mortalha do amor e voltou a dormir na espera da morte que insistia em não desligar.
Seu Isaac acorda aturdido e balbucia algumas palavras incompreensíveis como quem tem um bob de cabelo enrolado na língua e levanta-se muito amuado da rede de punhos puídos. Sempre que tomava seus pileques abria mão de dormir na cama de casal. Era embalado na rede que ele curava suas dores de cabeça ainda que com carapanãs lixando seus ouvidos.
Isaac era do tipo que não gostava de atender nem os telefonemas dos próprios filhos, que dirá um trote de algum desalmado com insônia na taciturna noite de dezoito de outubro - dia comemorado como marco da resistência à morte inevitável. Os filhos há algum tempo já nem telefonavam mais pro velho, pois, as chances de ouvirem poucas e boas eram de proporções homéricas. Paulatinamente Isaac levantara muralhas em sua volta e cavara um fosso levando essa animosidade ao aparato tecnológico a osteoporose de seus relacionamentos familiares. Mas num súbito momento de sobriedade lembrou-se do filho caçula recém integrado à polícia federal e que estava em missão na perigosa cidade de Tabatinga.
O envelhecimento dos tecidos já pesava naquela carcaça óssea de setenta e três Julhos, com alguns remanescentes cabelos grisalhos e uma ressaca dionisíaca lá foi ele desnudo pelo corredor inóspito rumo ao impaciente aparelho telefônico. Nunca Alexander Graham Bell foi tão xingado por tal invenção.
Alô? Judeu? Só pessoas muito íntimas o chamavam por esse apelido colocado por ele mesmo. Mas nem a voz lasciva e o tom de intimidade do outro lado da linha o derreteram.
Isso é hora de telefonar pra casa dos outros? O que é? Foi logo fazendo jus a fama de tolerante zero. Queria voltar o quanto antes para rede de punhos puídos e hibernar por dias, se possível.
Sabe quem está falando? Não. Respondeu assim, seco e lacônico. Já estive em sua casa uma vez e fui muito bem servida. Lembras? Isaac resolveu dar voz ao seu desconhecido lado Pollyana. Sentou-se no sofá e continuou com a conversa fiada. Me perdoe, mas não lembro não minha princesa. Eu sou a General das Trevas.
Zuleide tem o sono sacudido pelo frio insuportável e ao levantar as pálpebras percebe a porta do quarto entreaberta e não vê seu companheiro à cabeceira. Aquela frente fria castigava a extensão do inferno, como era mais conhecida a cidade de Manaus.
Isaac? Isaac? Sem obter resposta foi o jeito levantar-se. Mas sem o par de óculos não chegaria a lugar algum. Zuleide vai tateando sobre a penteadeira com uma cautela que lhe é peculiar até derrubar o Terço de madeira antes de triscar nos seus olhos de vidro. Dona Zuleide, de dogmas religiosos muito sólidos, não ia para cama sem antes rezar todo o Terço do Rosário.
General das Trevas? Bom, não me venha com metáforas a essa hora da noite. Seja sucinta e direta. Eu sou a morte e vou aí te buscar. Uma rasga-mortalha pia ironicamente sobre o telhado úmido.
Houve um silêncio. Depois uma gargalhada. A conversa já durava um quarto de hora.
Ah, és tu então sua vagabunda. Se por aqui quiseres aparecer de novo, gostaria que tu viesses desprovida de calcinha e sutiã. E quando eu deitar minhas coxas entre as tuas sentirás que o buraco aqui é literalmente mais embaixo.
Zuleide a poucos metros dali com o Terço nas mãos e os olhos pousados naquele homem nu foi se embriagando com aqueles sussurros temperados de promiscuidade que o silêncio permitia-lhe ouvir. Aproximou-se de Isaac, colocou o Terço em volta do seu pescoço, cobriu-lhe o corpo com a mortalha do amor e voltou a dormir na espera da morte que insistia em não desligar.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Sinalizar pra quê?
É surreal como o motorista amazonense não faz uso da comunicação não-verbal enquanto dirige. Nem mesmo o Fred Flinstones dirige assim. Essa frieza glacial dos motoristas nas ruas de Manaus pode ser letal tanto para eles mesmos como para os pedestres.
Do que adianta os carros virem equipados com pisca-pisca, pisca-alerta, triângulo, retrovisores, etc, se os motoristas não fazem uso deles. Sinalizar que vai dobrar a esquerda ou direita parece ser um ultraje a moral de tal motorista. Quem vem atrás tem simplesmente que vaticinar pra que lado o cidadão do carro a frente vai dobrar. E se é um taxista ou motorista de ônibus, o seu poder de adivinhação tem que ser igual ou maior que o da própria mãe Diná.
Até sugiro que os próximos carros a serem fabricados venham equipados com bola de cristal LED de última geração.
No trânsito de Manaus quase tudo pode acontecer, só não espere que os motoristas sinalizem, se comuniquem, avisem que destino eles tomarão – aí também já é querer demais, não é?
Agora uma coisa não podemos negar, o motorista amazonense é bom de buzina. Buzinar é com ele mesmo. A buzina tem o poder de abrir sinais, de desengarrafar o trânsito, é como se falássemos “abre-te Césamo”, e tudo se resolve, até o calor alivia depois de uma boa buzinada.
Só agora percebo a conotação sexual que uma buzina tem, pois, os motoristas adoram passar a mão, tocá-la, cutucar com o dedo, até aposto que tem motorista por aí que passa mais a mão na buzina do que na sua própria mulher.
Outra coisa que os motoristas desta cidade são bons é de comunicação verbal, ah, isso não podemos refutar. Discussões, bate-bocas, xingamentos, alguns gostam de chamar os outros de patriota, “Sai da frente filho da pátria!”, outros gostam de demonstrar o seu apreço por café, “anda logo com essa borra!”, e é daí pra pior. Uma fluência que não melhora em nada o andamento do trânsito, muito pelo contrário, só piora.
Então caro motorista, se vai dobrar, sinalize, se o carro ficou no prego, seja qual for sua natureza, comunique-se! Use o pisca - alerta e/ou triângulo. Faça mais uso da linguagem não-verbal. Sinalizar não contrai HIV, não paga multa, não dói e ainda evita acidentes.
Do que adianta os carros virem equipados com pisca-pisca, pisca-alerta, triângulo, retrovisores, etc, se os motoristas não fazem uso deles. Sinalizar que vai dobrar a esquerda ou direita parece ser um ultraje a moral de tal motorista. Quem vem atrás tem simplesmente que vaticinar pra que lado o cidadão do carro a frente vai dobrar. E se é um taxista ou motorista de ônibus, o seu poder de adivinhação tem que ser igual ou maior que o da própria mãe Diná.
Até sugiro que os próximos carros a serem fabricados venham equipados com bola de cristal LED de última geração.
No trânsito de Manaus quase tudo pode acontecer, só não espere que os motoristas sinalizem, se comuniquem, avisem que destino eles tomarão – aí também já é querer demais, não é?
Agora uma coisa não podemos negar, o motorista amazonense é bom de buzina. Buzinar é com ele mesmo. A buzina tem o poder de abrir sinais, de desengarrafar o trânsito, é como se falássemos “abre-te Césamo”, e tudo se resolve, até o calor alivia depois de uma boa buzinada.
Só agora percebo a conotação sexual que uma buzina tem, pois, os motoristas adoram passar a mão, tocá-la, cutucar com o dedo, até aposto que tem motorista por aí que passa mais a mão na buzina do que na sua própria mulher.
Outra coisa que os motoristas desta cidade são bons é de comunicação verbal, ah, isso não podemos refutar. Discussões, bate-bocas, xingamentos, alguns gostam de chamar os outros de patriota, “Sai da frente filho da pátria!”, outros gostam de demonstrar o seu apreço por café, “anda logo com essa borra!”, e é daí pra pior. Uma fluência que não melhora em nada o andamento do trânsito, muito pelo contrário, só piora.
Então caro motorista, se vai dobrar, sinalize, se o carro ficou no prego, seja qual for sua natureza, comunique-se! Use o pisca - alerta e/ou triângulo. Faça mais uso da linguagem não-verbal. Sinalizar não contrai HIV, não paga multa, não dói e ainda evita acidentes.
domingo, 28 de novembro de 2010
Bom dia Vietnã
Eles desceram o morro encapuzados de cólera e descarregaram metralhadoras de ódio. Não há mais bala perdida, mas sim, muitas almas perdidas. A guerra já não é mais fria, a chapa esquentou, Rio quarenta graus, Rio... Teoria do caos.
A alegria típica do povo carioca deu lugar ao medo, ao pânico. Carros alegóricos deram lugar aos tanques de guerra, a comissão de frente usa capacete e se blinda atrás de coletes à prova de balas. O som do surdo fez-se mudo. O pandeiro se calou e deu voz ao pandemônio...O puxador de samba agora puxa corpos espalhados pela avenida, o mestre-sala agora faz sala em mais um dos vários velórios que acontecem paralelamente em meio aquele fogo cruzado.
A paz entre policiais e traficantes perdeu a harmonia, atravessou o samba, é o bem e o mal travando o braço de ferro mais sangrento dos últimos anos. Traficantes querendo transformar o Rio em mar vermelho e Polícia, em mar morto.
Dessa vez a bateria não entrará no recuo, a ordem é avançar, avançar, avançar. Que o mestre de bateria tenha peito e a coragem do capitão Nascimento, do contrário, muitos brincantes nascerão para a outra vida.
Torço e rezo para que o refrão desse enredo seja “...O Rio de Janeiro continua lindo...” e que na apoteose da vida vença sempre a justiça e a paz.
A alegria típica do povo carioca deu lugar ao medo, ao pânico. Carros alegóricos deram lugar aos tanques de guerra, a comissão de frente usa capacete e se blinda atrás de coletes à prova de balas. O som do surdo fez-se mudo. O pandeiro se calou e deu voz ao pandemônio...O puxador de samba agora puxa corpos espalhados pela avenida, o mestre-sala agora faz sala em mais um dos vários velórios que acontecem paralelamente em meio aquele fogo cruzado.
A paz entre policiais e traficantes perdeu a harmonia, atravessou o samba, é o bem e o mal travando o braço de ferro mais sangrento dos últimos anos. Traficantes querendo transformar o Rio em mar vermelho e Polícia, em mar morto.
Dessa vez a bateria não entrará no recuo, a ordem é avançar, avançar, avançar. Que o mestre de bateria tenha peito e a coragem do capitão Nascimento, do contrário, muitos brincantes nascerão para a outra vida.
Torço e rezo para que o refrão desse enredo seja “...O Rio de Janeiro continua lindo...” e que na apoteose da vida vença sempre a justiça e a paz.
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